O histórico de
fraturas reflete o quão perigoso é o trabalho de um salva-vidas de rodeio.
Ramon Damasceno, em nove anos de profissão, fraturou clavícula, ossos da face,
perna, dedos da mão e quatro costelas, desmaiou e chegou a ficar em coma por um
dia. Sem falar nas pancadas e nos arranhões.
Nesta
segunda-feira, primeiro dia de montarias da Liga Nacional de Rodeios disputada
em Barretos, ele foi arremessado a uma altura de aproximadamente três metros ao
encarar o touro para socorrer o peão Adriano Ramos (veja vídeo). Apesar da
imagem forte, nada aconteceu com o salva-vidas, que ficou satisfeito com o seu
trabalho. O peão teve pequenas escoriações, foi atendido e passa bem.
- É tudo muito
rápido. Nós trabalhos em três salva-vidas, sempre rodando. Entramos na frente
do touro para evitar que ele não atinja o peão que está caído. Quando vi o boi
de frente e o peão caído, fui e me atirei. Foi até gostoso. Você fica com a
sensação de dever cumprido. É uma satisfação - comentou Damasceno, que mesmo
com 1,96m de altura e 96 kg, voou alto.
TRADIÇÃO
DE FAMÍLIA
Ramon Damasceno convive
neste meio desde os primeiros anos de vida. Sua família - pai, tios e avós -
sempre trabalhou no circo com montarias e apresentações em bois.
Às escondidas,
começou a treinar com os amigos na fazenda do pai - enquanto ele viajava.
- Eu aproveitava
que meu pai ficava três semanas fora de casa e chamava meus amigos pra montar
nos bois dele. Nunca gostei de montar, então, ficava como salva-vidas. Até o
dia que a minha mãe descobriu e ameaçou meu pai, dizendo que tiraria a guarda
dele. Aí eu tive que dar um tempo.
Para driblar a
família e continuar mexendo com bois, Ramon Damasceno foi morar com um amigo.
Lá, ele tinha liberdade para trabalhar com cavalos e bois. Certa vez, um dos
animais caiu sobre ele e sua mãe o obrigou a voltar para casa.
- Ela pediu para
eu voltar pra casa. Só que eu coloquei uma condição: que eu pudesse voltar a
trabalhar com as montarias. Aí não teve jeito. Voltei e trabalho até hoje -
comentou.
SUSTO
No final de 2013,
Damasceno levou o maior susto de sua vida. Ao tentar salvar um peão, ele caiu e
levou um pisão do touro. Desacordado, foi parar na UTI do hospital, onde passou
a noite em coma. Somente no dia seguinte, com fraturas na face, ele acordou.
Embora tenha ficado entre a vida e a morte, Ramon garante que não pensa em
abandonar a profissão que tanto ama.
- Não vou parar.
Meu sangue de guerreiro não deixa. Conheço muitos que pararam, mas eu não quero.
PROFISSIONALISMO
Os salva-vidas de
rodeio estão criando uma associação profissional para que todos sejam
regularizados e tenham um salário-base. Atualmente, os rodeios pagam, em média,
R$ 1.500,00 por evento - considerado pouco para quem se arrisca o tempo todo.
- Estamos nos
unindo para melhorar esse cenário.Temos seguro de vida, mas não é o bastante. É
um trabalho que exige cuidados e preparação - comentou Ramon Damasceno, que
frequenta a academia diariamente. Além de musculação, ele corre 8km por dia.
Fonte de Imagem e Texto: Globo Esporte


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