Ele tem 33 anos de idade e 17
de rodeio. Natural de Umuarama, Andrey reside em Cianorte há 25 anos, onde é o
presidente do Rodeio de Cianorte há oito anos e presidente do rodeio de Japurá
também. Ele já foi competidor em touros, mas garante que a função não lhe cabia
bem "eu não tinha futuro, caia muito, virava muita pirueta", comenta,
entre risos.
Hoje, Andrey é juiz de rodeio e
já fazem quatro anos que ele exerce a profissão com louvor. "Depois que eu
casei, eu fiquei uns três anos afastado do rodeio. Voltei quando fui convidado
pela prefeitura de Cianorte para organizar o rodeio de lá. Depois de três anos
a frente do Rodeio de Cianorte, me convidaram para julgar um rodeio e já fazem
quatro anos que estou fazendo isso", conta.
Andrey já julgou em quase todas as festas de
renome do Paraná, como Altônia, Iporã, Giooerê, Moreira Sales, Cianorte, São Tomé,
Guarapuava, entre outras. Para acrescer no currículo do juiz, falta apenas
Colorado, onde ele conta que já teve a oportunidade de julgar uma vez, mas no
frigir dos ovos, não deu certo. Ele já julgou também nos estados de São Paulo,
Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. "Mas meu sonho é um dia poder julgar em
Barretos. E se Deus quiser ainda vai dar certo", confessa.
Andrey tem uma agenda cheia, julgando
aproximadamente 40 rodeios por ano. Mas, ao que parece, a empreita ainda é
longa. "Estamos organizando tudo para começar a Sociedade Rural de
Cianorte, e a prefeitura já deixou claro que me quer na presidência".
AUTO AVALIAÇÃO
Na opinião de Andrey, a
presença de um juiz dentro da arena é fundamental. "O juiz é a autoridade
máxima dentro da arena e a sua função é uma das que carrega a maior
responsabilidade, na minha opinião. Porque o juiz pode dar ou tirar o prêmio de
um peão na hora que ele quiser. Por isso é tão importante a imparcialidade e a
honestidade nesses momentos. Dentro da arena, não pode ver amizade com peão,
nome de competidor e de touro na hora de dar a nota. Tem que ser profissional.
E dentro da arena, todos são iguais para mim", explica.
AVALIANDO UMA MONTARIA
Dos cinco quesitos a serem
avaliados em uma montaria (giro, pulo, coice, intensidade e dificuldade),
Andrey comenta que o que ele mais repara é a dificuldade que o touro
proporciona para o competidor. Já para o competidor, Andrey diz que ele precisa
mostrar que está dominando a montaria. "Quando você percebe que o
competidor está esporeando, está na posição certa, você sabe que ele tá
administrando bem a montaria. Você sabe que ali está sobrando peão. E, com
certeza, nesses casos, são os que recebem de mim a maior nota".
Já na hora de cortar um competidor, Andrey
revela que não faz corpo mole. "Tem muita regra hoje no rodeio, mas os
competidores conhecem todas elas. Se eles forem cortados é porque tão caçando
por onde. O que me faz cortar um peão é se ele estiver montando enroscado nos
nós da corda, se ele enrolar no brete ou tirar a mão da corda quando o boi
estiver dando condições, sem ter espalhado".
E mesmo assim, Andrey revela que casos como
estes ainda acontecem. E ele diz que regras foram feitas para serem cumpridas.
"Mesmo eles sabendo as regras, as vezes acontece de cortar um peão. A
regra é uma só e tem que ser cumprida por todos. Tenho uma boa amizade com os
competidores e sei quando o boi está em um bom dia ou não, sei quando o peão
não quer montar no boi. Todas essas coisas é possível de perceber. E isso ainda
acontece porque, as vezes, o peão acha que aquele não é um boi bom para ele
montar. Ele fica enrolando para ser cortado, então eu já corto. Tem peão que é
veiaco, faz por onde o boi espalhar dentro do brete só para o juiz dar Ril
Rider, mas eu sei que é ele quem tá atrapalhando e, nesses casos, o peão tem
que ser cortado mesmo", sentencia.
DENTRO OU FORA DA ARENA?
Certa feita, o comentarista
Thiago Arantes manifestou sua opinião sobre o local mais apropriado para os
juízes estarem posicionados durante o rodeio. Segundo ele, seria muito mais
favorável que os juízes estivessem do lado de fora da arena, para que nenhum
lance das montarias passasse despercebido. Andrey concorda, com ressalvas.
"O Thiago não está errado, em alguns momentos o touro vem para cima da
gente e é preciso correr. Essa pode ser a hora que algo nos passe despercebido.
É algo a ser considerado, mas com cautela, porque seria necessário observar
todos os movimentos fora da arena também. Dentro, a gente está vendo bem de
perto a montaria, talvez de fora a gente tivesse uma maior dificuldade em
enxergar os detalhes. E nesse caso, seria necessário ter mais juízes mesmo.
Dois no mínimo, mas o correto seriam três, para poder ver tudo o que
acontece", analisa.
TROCA DE INFORMAÇÕES
Andrey conta que sempre existe
um diálogo entre os juízes dentro da arena. "Acho importante sempre ter
mais que um juiz avaliando uma montaria. Quando trabalho com outros juízes, nós
sempre mantemos o diálogo. Somos todos amigos, conversamos antes de começar um
evento e, se acontecer alguma coisa, a gente tira dúvida um com o outro. Talvez
eu tenha visto um apelo que ele não viu, ou ele percebeu que o peão estava
enroscado e eu não e sempre a gente troca informações. O diálogo nosso é muito
bom e sempre somos parceiros uns dos outros", manifesta.
CPR
Ele é um dos juízes do
Campeonato Paranaense de Rodeio, e comenta sobre a iniciativa. "Esse é um
campeonato que só tem a crescer. O Giovany é um cara simples, um empresário de
visão, e está fazendo algo diferenciado para o nosso rodeio. Esse campeonato
tem muito para mostrar ainda, e estarei levando uma etapa para o Rodeio de
Cianorte, com certeza", comenta.
RODEIO DE CIANORTE
Por falar no evento, que é um
dos mais cotados do Paraná, o Rodeio de Cianorte vai acontecer esse ano entre
os dias 12 e 15 de junho. A comissão ainda está fechando a agenda, cultural e
esportiva. Mas Andrey já garante que alguns nomes estão confirmados.
"Maria Cecília e Rodolfo já foram contratados para estar aqui, assim como
o locutor Luizinho Mirante e uma etapa do CPR", adianta. "Quero levar
tudo o que tem de melhor no rodeio para Cianorte. E só tenho que agradecer aos
patrocinadores, que todo ano contribuem para fazer uma festa diferenciada e
respeitada. Somos a festa que mais vende camarotes no Paraná". Logo tem
mais novidades sobre o evento.
APOSENTADORIA?
"Eu, por enquanto, não
tenho intenção de parar. Nem penso nisso ainda. Mas não sei, porque o rodeio é
imprevisível, eu tenho família e não sei do dia de amanhã. Porém é o esporte
que eu amo, faço tudo pelo rodeio. Costumo sempre brincar que sou novo de idade,
mas velho de rodeio e enquanto Deus estiver dando forças para mim, e as
comissões de festa acreditarem no meu trabalho, eu quero continuar.Graças a
Deus, não falta rodeio, toda semana eu tenho um evento e trabalho bastante no
Paraná".
REPÓRTER POR UM DIA
Durante a entrevista, o
parceiro de longa data do Portal Pantanera, o comentarista Oskar Roberto,
resolveu trocar os papéis com esta que vos fala, por livre e espontânea
pressão. Como os dois são amigos pessoais, pedi que Oskar fizesse uma pergunta
para Andrey. Oskar perguntou se é necessário ter sido um competidor para poder
julgar as montarias. "Eu já montei em touro, mas eu acho que não precisa
ter passado pela experiência. Tem muito juiz que é bom e nunca montou. O
importante é entender as regras, estar sempre atualizado e ir para os rodeios,
para ter experiência", responde.
DESABAFO
Patrocinado da Via Country há
dois anos, Andrey desabafa. "Acho a coisa mais errada do rodeio esse
negócio de cobrar para peão montar. Antigamente, eles tinham consola para ir ao
rodeio, que é uma ajuda de custo, para cobrir os gastos de viagem, e hoje eles
tem que pagar para montar. É a coisa mais errada que eu já vi! E isso é culpa
dos peões mesmo, não é de comissão, não é de mais ninguém. Porque quando
começaram a cobrar, cobravam R$ 10 para pagar o seguro, foi para R$20, R$ 30,
R$ 100, e tem rodeio aí cobrando R$ 130 dos peões para montar. Eles começaram
falando que era para fazer o seguro. Mas o melhor seguro do Brasil hoje custa
R$ 12,90. Isso é um bolão que estão fazendo, monta 50 peões, a R$ 100 cada um.
Isso dá R$ 5 mil e é o prêmio que o cara vai dar. E vai ser difícil de tirar
isso do rodeio agora. Porque se o peão não pagar aparecem outros 10 no lugar
dele, querendo a vaga. As vezes eles não tem nem alojamento. Eu vou para um
evento sabendo quanto vou receber, que tenho um lugar para ficar, comida e tudo
e os peões gastam combustível, gastam para comer, não tem lugar para ficar,
arrisca a vida e ainda é desvalorizado. É possível fazer um rodeio sem salva
vidas, sem locutor, sem comentarista, sem juiz até, se quiser. Não vai ter
nota, mas faz. Agora sem peão é impossível. Eles são os astros principais do
esporte e não são valorizados. Isso precisa mudar", desabafa.


0 Comentários